Convecção de Ferro Líquido a 3.000 km de Profundidade: Ciclos de Laschamp e Brunhes
Como o turbilhão de ferro fundido no manto inferior gera o escudo geomagnético, por que a AMAS se expande para o oeste e como os satélites operam sobre a região.
A Máquina no Centro do Mundo: O Geodínamo Terrestre
A cerca de 2.900 km sob nossos pés situa-se o núcleo externo da Terra: um oceano turbilhonante de ferro e níquel líquidos a temperaturas que ultrapassam 4.000 °C. Conforme o calor do núcleo interno sólido escapa, ele gera correntes de convecção vigorosas que, combinadas com a força de Coriolis da rotação terrestre, criam um dínamo auto-sustentado capaz de gerar o escudo magnético que protege a atmosfera dos ventos solares devastadores.
A Origem da AMAS: Manchas de Fluxo Reverso
Estudos sismológicos e dados da constelação de satélites SWARM (Agência Espacial Europeia - ESA) revelaram que na fronteira entre o manto e o núcleo, sob o sul da África e o Atlântico Sul, existe uma imensa mancha de fluxo magnético reverso. Em vez de apontar para fora da Terra (como é o padrão do Hemisfério Sul), o vetor magnético aponta para dentro, cancelando parte do campo dipolar e originando a depressão de 22.000 nT que sentimos na superfície da América do Sul.
Estamos em Rumo a uma Inversão Total dos Polos?
A última inversão completa de polaridade geomagnética (a Inversão Brunhes-Matuyama) ocorreu há cerca de 780.000 anos. Contudo, há 41.400 anos, o planeta vivenciou a Excursão de Laschamp, na qual o campo magnético perdeu 95% de sua força durante cerca de 400 anos antes de se restabelecer. A aceleração da deriva do Polo Norte e o alargamento da AMAS indicam que o geodínamo está em fase de reorganização caótica e dinâmica.
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